Para começar, deixo claro alguns itens:
1) Sou favorável à avaliação das escolas, públicas e privadas.
2) Acredito que o Enem representa um avanço muito grande no objetivo de melhorar a qualidade da educação brasileira.
No entanto quero aqui deixar manisfesto que estão confundindo as coisas, estão fazendo marketing com um instrumento de avaliação! Essa é a distorção!
Veja notícia do dia 13 de agosto no portal iG: "Objetivo ganha direito à revisão de nota no Enem na Justiça". O "ranking de escolas", mentira que toma tom cada vez mais oficial, não deveria existir, visto que o Enem não pretende avaliar as escolas!
Mas aos poucos estamos aceitando a listagem. Até briga por classificação já acontece, como mostra a matéria acima citada. Assim, nós, educadores, não estamos dando um exemplo muito louvável. Reclamamos do ranking - somente quando não estamos no topo da lista...
É uma distorção! O Enem pretende avaliar alunos (com vistas à promoção para o ensino superior). Se pretendesse avaliar escolas, teria que avaliar todos os alunos da escola, o que não ocorre. Promover ranking de escolas com um instrumento que não pretende avaliá-las é, no mínimo, uma mentira. Que acaba servindo de marketing para as escolas que se sobressaem.
Pior ainda: a exemplo do que vemos na matéria do iG, as escolas estão se preparando para o Enem. Dizem (não tenho nenhuma fonte oficial para comprovar) que o Objetivo montou essa escola especificamente para o Enem. Selecionou os melhores alunos, os melhores professores, promoveu período integral com todos os recursos necessários. Quis ter marketing às custas do Enem. Provou que pode sair-se bem promovendo a exclusão...
Se verdade for, lembro que não são os únicos. Algumas escolas estão selecionando seus alunos com vistas à uma classificação no Enem. Afinal, os bem classificados podem aumentar anuidades e terão lista de espera! Ora, isso é uma aberração! Prova alguma coisa? Que todos queremos ser enganados...
Há alguns anos atrás muitas escolas e muitos educadores brigaram contra o ranking. Hoje já são poucos... Vamos nos acostumando, aceitando aos poucos. É uma pena!
Principais notícias da Educação Brasileira com comentários e discussões que possam gerar...
sábado, 14 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
São muitas as variáveis
Notícia de hoje (02/ago) da Folha.com: "Risco de baixo desempenho escolar é maior entre filhos de pais separados, diz pesquisa". Interessante notícia. De acordo com o levantamento, crianças e adolescentes com pais separados têm um risco 46% maior de ter baixo desempenho escolar.
Mas o que chamou-me de fato a atenção é a relação desta notícia com outras... Ranking do Enem, por exemplo.
Para ser bem classificado no Enem precisa algo mais que boas aulas, bons professores, etc etc etc. Precisa-se de corpo discente e docente "especiais"... É o que alguns estão fazendo!
Seleciona-se os melhores alunos. Para eles os melhores professores ministram aulas em turno integral. Funciona. Eu diria: grande novidade...
Agora podemos afirmar ainda mais: a família influi no resultado do Enem. Será que essas escolas vão escolher os alunos levando-se em conta também a situação dos pais???
Mas o que chamou-me de fato a atenção é a relação desta notícia com outras... Ranking do Enem, por exemplo.
Para ser bem classificado no Enem precisa algo mais que boas aulas, bons professores, etc etc etc. Precisa-se de corpo discente e docente "especiais"... É o que alguns estão fazendo!
Seleciona-se os melhores alunos. Para eles os melhores professores ministram aulas em turno integral. Funciona. Eu diria: grande novidade...
Agora podemos afirmar ainda mais: a família influi no resultado do Enem. Será que essas escolas vão escolher os alunos levando-se em conta também a situação dos pais???
Fazer a diferença
Hoje fui ao banco. Alguém gosta de fazer esse "passeio"? Acho difícil...
Excesso de gente, excesso de fila, excesso de tempo perdido, excesso de paciência! A começar pela porta giratória: vai-não-vai, passa-não-passa. "Já tirou todas as chaves?" "O cinto é de metal?" "Posso ver a bolsa?" Humilhação a todo momento, para qualquer um.
Pois hoje fui ao banco... Investi-me de vontade, armei-me de paciência e vamos lá! Não tem outro jeito! No caminho entre uma escola que tinha que visitar e uma reunião que tinha que fazer passo numa agência pequena, que nem tinha reparado antes que existia.
Chegando perto da temida porta giratória, vejo um segurança do banco que mais parecia um guarda de trânsito. Orientava quando entrar, quando sair, quem tinha preferência, ...
- Senhor, por favor aguarde um pouco.
- Senhor, pode sair, tenha um bom dia.
Na minha frente um senhor. Macacão sujo de graxa, gente simples. Parecia (e devia estar) nervoso. Chegou a vez dele:
- Por favor, senhor. Deixe tudo de metal aqui. Seu sapato tem ponteira de metal? Então chegue perto do sensor. Ali! Isso... Agora entre. Pare um pouco, espere.
O segurança-do-trânsito entrou na porta. Girou para lá, para cá. Abriu a porta para o senhor. O tratamento dispensado foi fora do normal. Comecei a observar o dito cujo.
Foi até a fila do caixa eletrônico:
- Senhor, esse caixa não faz retirada de dinheiro.
- Senhora, este caixa é preferencial para idosos, venha aqui!
Cada um que saia, cada um que entrava recebia uma fala do segurança-do-trãnsito.
Interessante notar que ele não estava sozinho. Mas os outros dois seguranças eram somente... seguranças! Estavam quietos, atentos a tudo e a todos. Mudos em seus postos.
Aquele segurança-do-trânsito fazia a diferença. Ninguém reclamou da porta giratória, embora alguns tenham sido presos nela. A diferença estava no tratamento. Ninguém se sentia inferiorizado.
Tratar as pessoas como elas deveriam ser tratadas. Essa foi a lição que o segurança me proporcionou... Não chego a dizer que quero voltar no banco (o banco não mudou nada), mas com certeza ele tornou aquela agência diferente. Mais humana.
Seria muito bom se nas nossas escolas tivéssemos muitas pessoas que conseguissem transmitir a mesma sensação positiva que o segurança-do-trânsito, não? O que é necessário para isso?
Talvez mais conhecimento da instituição. Talvez mais responsabilidade e empreendedorismo de todos. Talvez um clima de harmonia em que todos se sintam bem e trabalhando para uma causa comum. Talvez um pouco disso tudo.
Mas com certeza seria uma escola em que gostaria de deixar meus filhos...
Excesso de gente, excesso de fila, excesso de tempo perdido, excesso de paciência! A começar pela porta giratória: vai-não-vai, passa-não-passa. "Já tirou todas as chaves?" "O cinto é de metal?" "Posso ver a bolsa?" Humilhação a todo momento, para qualquer um.
Pois hoje fui ao banco... Investi-me de vontade, armei-me de paciência e vamos lá! Não tem outro jeito! No caminho entre uma escola que tinha que visitar e uma reunião que tinha que fazer passo numa agência pequena, que nem tinha reparado antes que existia.
Chegando perto da temida porta giratória, vejo um segurança do banco que mais parecia um guarda de trânsito. Orientava quando entrar, quando sair, quem tinha preferência, ...
- Senhor, por favor aguarde um pouco.
- Senhor, pode sair, tenha um bom dia.
Na minha frente um senhor. Macacão sujo de graxa, gente simples. Parecia (e devia estar) nervoso. Chegou a vez dele:
- Por favor, senhor. Deixe tudo de metal aqui. Seu sapato tem ponteira de metal? Então chegue perto do sensor. Ali! Isso... Agora entre. Pare um pouco, espere.
O segurança-do-trânsito entrou na porta. Girou para lá, para cá. Abriu a porta para o senhor. O tratamento dispensado foi fora do normal. Comecei a observar o dito cujo.
Foi até a fila do caixa eletrônico:
- Senhor, esse caixa não faz retirada de dinheiro.
- Senhora, este caixa é preferencial para idosos, venha aqui!
Cada um que saia, cada um que entrava recebia uma fala do segurança-do-trãnsito.
Interessante notar que ele não estava sozinho. Mas os outros dois seguranças eram somente... seguranças! Estavam quietos, atentos a tudo e a todos. Mudos em seus postos.
Aquele segurança-do-trânsito fazia a diferença. Ninguém reclamou da porta giratória, embora alguns tenham sido presos nela. A diferença estava no tratamento. Ninguém se sentia inferiorizado.
Tratar as pessoas como elas deveriam ser tratadas. Essa foi a lição que o segurança me proporcionou... Não chego a dizer que quero voltar no banco (o banco não mudou nada), mas com certeza ele tornou aquela agência diferente. Mais humana.
Seria muito bom se nas nossas escolas tivéssemos muitas pessoas que conseguissem transmitir a mesma sensação positiva que o segurança-do-trânsito, não? O que é necessário para isso?
Talvez mais conhecimento da instituição. Talvez mais responsabilidade e empreendedorismo de todos. Talvez um clima de harmonia em que todos se sintam bem e trabalhando para uma causa comum. Talvez um pouco disso tudo.
Mas com certeza seria uma escola em que gostaria de deixar meus filhos...
terça-feira, 15 de junho de 2010
Sufocando a Liberdade
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei nº9.394, 20/dez/96), dentre uma série de novidades, trouxe uma nova visão da própria Escola. Antes “engessada”, presa no emaranhado de leis e portarias que, mais do que orientar, exigia uma “mesmice”, a LDB reconhece características distintas, a partir das características de sua comunidade escolar. Não pretendo discutir aqui os Sistemas Municipais e Estaduais de Ensino, com regras específicas, mas a “Instituição Privada de Ensino”, na nomenclatura da própria LDB.
Por respeito aos cidadãos incluiu-se a possibilidade de que cada Escola discutisse e estabelecesse o currículo mais apropriado. Além de uma “base nacional comum”, abriu-se espaço para haver “em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (artigo 26, LDB). Os “Parâmetros Curriculares Nacionais”, vieram a seguir: as regras estavam postas, sabia-se o que poderia ser feito, como deveria ser feito.
Mas… nem tudo funciona como o previsto. A realidade, por vezes, fala mais alto, e a necessidade de cumprir um currículo pré-determinado pelos exames vestibulares fez com que as escolas tivessem pouco tempo disponível para a parte diversificada: a quantidade de livros a ler e conhecer, a enormindade de conteúdos necessários de cada matéria de vestibular fez com que uma parte da liberdade conquistada pela LDB fosse sufocada. Neste item, o encaminhamento de questões como o ENEM ajudou a reduzir o peso do vestibular, embora ainda estejamos engatinhando na solução.
Cabe lembrar também que os educadores têm parte de culpa nesta história. Não soubemos exercer a liberdade. Presos nos problemas cotidianos, nem mesmo tentamos usufruir da liberdade conquistada. Longe de inovar na parte diversificada, ficávamos a procura de experiências bem sucedidas dos outros, ou da "receita pronta". Com raríssimas exceções, a liberdade foi sufocada também pelo próprio liberto!
No entanto, a situação tende a piorar! Não só os exames vestibulares conspiram contra a liberdade curricular. A tendência regulatória de nosso País, a vontade de criarmos leis para tudo está na base de um novo e real perigo: a quantidade e diversidade de leis que visam obrigar as escolas a incluir temas ou matérias em seu currículo. Pode-se afirmar que há, sempre, uma boa intenção. Mas, podemos afirmar também, que há algum desconhecimento do espírito que permeia a LDB - para não repetir que de boas intenções o inferno está cheio...
Não nego haver aspectos positivos em se acrescentar ao currículo matérias como música, filosofia, psicologia, sociologia, língua espanhola e outras que já chegaram em forma de lei. Quanto aos temas transversais, incluir cultura negra, cultura indígena, história regional, noções de cidadania, educação ambiental, leitura da Bíblia, prevenção às drogas, … Todos são muito válidos e importantes. E todos os exemplos acima já são lei ou procuram fazer com que seja em breve.
Vários dos itens acima já são trabalhados pela grande maioria dos estabelecimentos de ensino. Muitos outros temas, graças aos dados regionais e da clientela de cada escola, estão sendo realizados. Mas, obrigar que todas desenvolvam todas as atividades, certamente fará com que a educação brasileira sofra uma regressão: voltaremos ao engessamento, à mesmice, à falta de condições de desenvolver um currículo adaptado à sua proposta pedagógica e à sua comunidade escolar. Afinal, o tempo é limitado, a “base comum” vai sendo ampliada e, desta forma, a “parte diversificada” deixa de existir.
Pena que poucas pessoas estejam percebendo este perigo. Pena que pouca discussão haja. Nós, educadores, estamos engolindo aos poucos os ingredientes que, se isolados são interessantes, juntos poderão deixar sequelas indesejáveis. Os diversos lobbies (ou alguém duvida que eles existam também nestes casos?) estão sufocando a liberdade.
É preciso resgatar a coragem de pensar! É preciso gritar para que haja espaço para a liberdade! É preciso disutir...
Em tempo: este artigo é uma "releitura" de outro que fiz em 2003. Passam-se os anos e a situação só piora...
Por respeito aos cidadãos incluiu-se a possibilidade de que cada Escola discutisse e estabelecesse o currículo mais apropriado. Além de uma “base nacional comum”, abriu-se espaço para haver “em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (artigo 26, LDB). Os “Parâmetros Curriculares Nacionais”, vieram a seguir: as regras estavam postas, sabia-se o que poderia ser feito, como deveria ser feito.
Mas… nem tudo funciona como o previsto. A realidade, por vezes, fala mais alto, e a necessidade de cumprir um currículo pré-determinado pelos exames vestibulares fez com que as escolas tivessem pouco tempo disponível para a parte diversificada: a quantidade de livros a ler e conhecer, a enormindade de conteúdos necessários de cada matéria de vestibular fez com que uma parte da liberdade conquistada pela LDB fosse sufocada. Neste item, o encaminhamento de questões como o ENEM ajudou a reduzir o peso do vestibular, embora ainda estejamos engatinhando na solução.
Cabe lembrar também que os educadores têm parte de culpa nesta história. Não soubemos exercer a liberdade. Presos nos problemas cotidianos, nem mesmo tentamos usufruir da liberdade conquistada. Longe de inovar na parte diversificada, ficávamos a procura de experiências bem sucedidas dos outros, ou da "receita pronta". Com raríssimas exceções, a liberdade foi sufocada também pelo próprio liberto!
No entanto, a situação tende a piorar! Não só os exames vestibulares conspiram contra a liberdade curricular. A tendência regulatória de nosso País, a vontade de criarmos leis para tudo está na base de um novo e real perigo: a quantidade e diversidade de leis que visam obrigar as escolas a incluir temas ou matérias em seu currículo. Pode-se afirmar que há, sempre, uma boa intenção. Mas, podemos afirmar também, que há algum desconhecimento do espírito que permeia a LDB - para não repetir que de boas intenções o inferno está cheio...
Não nego haver aspectos positivos em se acrescentar ao currículo matérias como música, filosofia, psicologia, sociologia, língua espanhola e outras que já chegaram em forma de lei. Quanto aos temas transversais, incluir cultura negra, cultura indígena, história regional, noções de cidadania, educação ambiental, leitura da Bíblia, prevenção às drogas, … Todos são muito válidos e importantes. E todos os exemplos acima já são lei ou procuram fazer com que seja em breve.
Vários dos itens acima já são trabalhados pela grande maioria dos estabelecimentos de ensino. Muitos outros temas, graças aos dados regionais e da clientela de cada escola, estão sendo realizados. Mas, obrigar que todas desenvolvam todas as atividades, certamente fará com que a educação brasileira sofra uma regressão: voltaremos ao engessamento, à mesmice, à falta de condições de desenvolver um currículo adaptado à sua proposta pedagógica e à sua comunidade escolar. Afinal, o tempo é limitado, a “base comum” vai sendo ampliada e, desta forma, a “parte diversificada” deixa de existir.
Pena que poucas pessoas estejam percebendo este perigo. Pena que pouca discussão haja. Nós, educadores, estamos engolindo aos poucos os ingredientes que, se isolados são interessantes, juntos poderão deixar sequelas indesejáveis. Os diversos lobbies (ou alguém duvida que eles existam também nestes casos?) estão sufocando a liberdade.
É preciso resgatar a coragem de pensar! É preciso gritar para que haja espaço para a liberdade! É preciso disutir...
Em tempo: este artigo é uma "releitura" de outro que fiz em 2003. Passam-se os anos e a situação só piora...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
O ciclo vicioso e a ajuda da escola
Estava tentando refletir sobre o consumismo quando me deparo com uma manchete do portal Uol: "Violência no mundo cresce e causa impacto anual de US$ 7 trilhões, aponta Índice Global da Paz". Quase entrei em parafuso!
O ciclo da violência é assustador. Vemos que a violência cresce no mundo inteiro. No oriente médio e as eternas brigas entre Israel e Palestinos (entre várias outras). Na África, entre os clãs diferentes dentro de países artificialmente montados. Na Europa, com facções terroristas que insistem em reaparecer de quando em quando. Nos morros cariocas dominados pelo tráfico - e dizem que a chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) só transfere a violência para além dos morros ou para outros morros.
Mas também - e principalmente - para nossos vizinhos em brigas de casais; em bullying nas escolas e na internet (o cyberbullying); em medos, em cercas, em muros, em alarmes, em seguranças, em armas, ... CLIC! Voltei ao consumismo, centro de minhas reflexões antes da notícia! Pretendemos reduzir violência comprando segurança, mas acabamos por gerar mais violência! Dizem que 50% dos impostos pagos pelos estadunidenses vão para o exército americano! Estamos num ciclo assutador, onde o egoísmo e a sede de ter acabarão por nos destruir.
Estamos nos matando! Não somente com armas. Estamos destruindo nosso mundo, acabando com nossa água, poluindo nosso ar, esgotando nossos minérios. Aliás, existe um filme na internet (21 min de duração) já com versão brasileira, chamado "a história das coisas" (está neste blog, no lado direito). Muito bom, vale a pena ver (se preferir original, em inglês com legendas em português, clique aqui).
Resumo do filme: acabamos com a natureza para extrair material que nossa indústria possa processar - gerando lixo tóxico - que vai para o comércio que paga mal para ter bons preços, que nos vende barato mas exige grande circulação de bens nos fazendo descartar logo para ir comprar outro, que gera muito lixo e falta de espaço adequado para ele, falta de tratamento adequado, que gera novo dano à natureza, completando o ciclo e reiniciando o processo auto-destrutivo em que nos encontramos. (propositalmente escrevi frase longa, cansativa e sem ponto - é um ciclo que cansa qualquer um!)
E a escola? Onde está nesse processo? Deveria estar cuidando de formar para o "ser pessoa" e não deixando-nos medir pelo "ter coisas". Deveria gerar paz e impedir o bullying ou qualquer outra violência. Deveria ser fonte de um anti-consumismo exacerbado (ou consumismo consciente). Deveria... Mas pouco vejo de concreto. A escola até faz alguma ação pontual, mas não entra fundo na questão. Arranha o verniz, não trabalha a mudança de cultura, necessária para um mundo de fato melhor. E infelizmente, se não atrapalha esse processo, ajuda a aumentá-lo! Nosso mundo está num ciclo vicioso e a escola está ajudando a manter esse ciclo "rodando".
Fácil? Não é sem dúvida! Receita? Eu não tenho e acredito que ninguém tenha. Mas por algum ponto deveremos começar, antes que seja tarde! Não acha?
O ciclo da violência é assustador. Vemos que a violência cresce no mundo inteiro. No oriente médio e as eternas brigas entre Israel e Palestinos (entre várias outras). Na África, entre os clãs diferentes dentro de países artificialmente montados. Na Europa, com facções terroristas que insistem em reaparecer de quando em quando. Nos morros cariocas dominados pelo tráfico - e dizem que a chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) só transfere a violência para além dos morros ou para outros morros.
Mas também - e principalmente - para nossos vizinhos em brigas de casais; em bullying nas escolas e na internet (o cyberbullying); em medos, em cercas, em muros, em alarmes, em seguranças, em armas, ... CLIC! Voltei ao consumismo, centro de minhas reflexões antes da notícia! Pretendemos reduzir violência comprando segurança, mas acabamos por gerar mais violência! Dizem que 50% dos impostos pagos pelos estadunidenses vão para o exército americano! Estamos num ciclo assutador, onde o egoísmo e a sede de ter acabarão por nos destruir.
Estamos nos matando! Não somente com armas. Estamos destruindo nosso mundo, acabando com nossa água, poluindo nosso ar, esgotando nossos minérios. Aliás, existe um filme na internet (21 min de duração) já com versão brasileira, chamado "a história das coisas" (está neste blog, no lado direito). Muito bom, vale a pena ver (se preferir original, em inglês com legendas em português, clique aqui).
Resumo do filme: acabamos com a natureza para extrair material que nossa indústria possa processar - gerando lixo tóxico - que vai para o comércio que paga mal para ter bons preços, que nos vende barato mas exige grande circulação de bens nos fazendo descartar logo para ir comprar outro, que gera muito lixo e falta de espaço adequado para ele, falta de tratamento adequado, que gera novo dano à natureza, completando o ciclo e reiniciando o processo auto-destrutivo em que nos encontramos. (propositalmente escrevi frase longa, cansativa e sem ponto - é um ciclo que cansa qualquer um!)
E a escola? Onde está nesse processo? Deveria estar cuidando de formar para o "ser pessoa" e não deixando-nos medir pelo "ter coisas". Deveria gerar paz e impedir o bullying ou qualquer outra violência. Deveria ser fonte de um anti-consumismo exacerbado (ou consumismo consciente). Deveria... Mas pouco vejo de concreto. A escola até faz alguma ação pontual, mas não entra fundo na questão. Arranha o verniz, não trabalha a mudança de cultura, necessária para um mundo de fato melhor. E infelizmente, se não atrapalha esse processo, ajuda a aumentá-lo! Nosso mundo está num ciclo vicioso e a escola está ajudando a manter esse ciclo "rodando".
Fácil? Não é sem dúvida! Receita? Eu não tenho e acredito que ninguém tenha. Mas por algum ponto deveremos começar, antes que seja tarde! Não acha?
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