sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sermão da Montanha (versão educador)

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque eles...

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?

- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.

- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse:
-Senhor, por que me abandonastes...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Com chapeu alheio

Especialidade dos políticos, fazer-se de bonzinho com sacrifício dos outros está se tornando regra... É uma pena.

Agora é a ideia da meia entrada: Câmara dos Deputados aprova meia-entrada para jovens de 15 a 29 anos (O Estado de São Paulo). Ok, o projeto até diz de dotação orçamentária específica para isso. Mas...

Meia entrada para menores, para jovens, para idosos. Haverá subsídio em impostos e taxas? Bem, ainda assim, lá na ponta, quem paga a conta somos nós! Não existe mágica!

Assim, proponho uma alternativa: novo projeto, concedendo meia entrada também aos trabalhadores e aos desempregados. Assim todos serão contemplados, não? Vantagens:

1) Políticos podem continuar posando de bonzinhos (deram benesses a todos)!
2) Todos sentir-se-ão contemplados e acaba o sentimento de "esquecido".
3) Os proprietários dos estabelecimentos poderão dobrar o valor do ingresso e cobrar meia entrada de todo mundo! Ainda recebem subsídios - portanto, também ficam satisfeitos.

Simples não? Todos contentes, muito tempo gasto em discussões e tudo ajeitado... O único prejudicado nisso tudo: o bom senso! Mas ele já está acostumado... :-(

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Como promover a melhor comunicação entre o mundo adulto e mundo adolescente?

Interessante perceber que num mundo onde a comunicação é cada vez mais facilitada, tem-se justamente mais dificuldades para se comunicar... Hoje tudo é on line, on time, imediato e visual. Celulares, tablets, notebooks, todos com câmera e microfone permitem um excesso de comunicação.

Sim, excesso! Tem comunicação demais! Pode ser sufocante! Talvez desta constatação venha a primeira resposta à pergunta-título: como tudo na vida, um pouco de bom senso não faz mal a ninguém. Não comunicar é ruim, mas comunicar demais também não é positivo.
Para continuar a resposta, teríamos que discutir qual é o mundo do adulto e qual é o mundo do adolescente — impossível neste espaço.

É comum ver adultos que não se preocupam nem em ouvir o que acontece no mundo jovem-adolescente. Sob alegações generalistas e preconceituosas (“só querem fazer barulho”, “não respeitam ninguém”, etc.), cortam toda e qualquer comunicação.

Outros adultos caíram na arapuca social de endeusar o novo e pretendem ser eternamente jovens — o que só os torna pseudo-adolescentes fora da idade.

Por outro lado, adolescentes não querem mais ouvir, não têm paciência com os adultos. Nada que vier deles serve, pois eles já estão ultrapassados.

É o choque de gerações, que sempre existiu, mas agora está muito mais acentuado. Como fazer a melhor comunicação entre eles?

Uma das características mais importantes no mundo atual é a compreensão das diferenças culturais. Acredito que podemos incluir nessas diferenças as que existem entre as gerações. Procurar entender, dar-se tempo de ouvir o que o outro tem a dizer. Lembrar que comunicação supõe dois lados e, portanto, ouvir e falar. Compreender. Seria um ótimo começo.

Mas não basta. É preciso compreender os papéis. O adolescente busca no adulto algumas referências, ainda que inconscientemente. Se o adulto quiser ser “bonzinho”, vai faltar quem lhe imponha regras. Por mais que o adulto esteja “ultrapassado”, o adolescente tem o que aprender com ele sim. Saber dizer sim e saber dizer não é uma dificuldade dos adultos de hoje, que atrapalham a comunicação.

Concluo e resumo com uma “resposta final” (mas não definitiva): estar aberto ao outro é a condição essencial para haver comunicação. Vou traduzir por “boa vontade”... Com boa vontade, a comunicação será certamente melhor, não?

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Artigo originalmente postado no portal EducarBrasil:

terça-feira, 19 de julho de 2011

Desequilíbrio

Cada vez mais temos "gente perdida" no mundo moderno. Gente que não percebe onde e como está, que não quer a velocidade das coisas como está, que não gosta do rumo das coisas. E o mundo continua mudando, cada vez mais rápido!

Lembra um pouco a ideia do pêndulo: se um momento puxa para um lado, a reação contrária é relativamente tão forte quanto, puxando o pêndulo para o lado contrário. O pêndulo no centro fica para bem mais tarde, depois de muito ir e vir...

É o equilíbrio que buscamos (ou deveríamos buscar) que se mostra cada vez mais difícil de conseguir. Saber abraçar as novidades tecnológicas sem esquecer o humano. Conviver com a tecnologia sem fazer dela um deus - ou um diabo. Expor-se nas redes sociais mas com limites. Ter amizades virtuais e cultivar as presenciais.

A própria natureza tem se mostrado sábia neste sentido. Estudo recente prova que a ação do homem, ao reduzir os predadores na natureza põe em perigo todo um ecossistema. (Veja matéria na agência Fapesp: "A falta dos grandes predadores") A redução de lobos fez aumentar número de cervos que comendo mais plantas fez reduzir o número de castores, que...

O desequilíbrio de um afeta o equilíbrio de todos! Este nosso ecossistema cada vez mais delicado chamado "mundo globalizado" exige equilíbrio geral. Um país com gripe resulta em resfriado em todo o mundo. Um país com problemas financeiros afeta a economia mundial (veja Grécia, Itália e outros recentemente). Uma pessoa paranóica mata vários transeuntes no supermercado ou na escola...

Que falta que o equilíbrio faz! E como estamos com falta de equilíbrio! Como seria bom recuperar o bom senso... Vamos começar?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bom remédio! Mal aplicado...

Nestes dias, duas polêmicas aparentemente sem ligação entre si estão sendo noticiadas. "MEC sugere não reprovar aluno nos três primeiros anos do Fundamental" (Bom Dia Brasil) e "DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu" (FSP, para assinantes).

Em comum o fato de poderem ser bons remédios, mas usados de maneira errada... Explico.

A questão da progressão continuada já está sendo discutida há tempos (e execrada na maioria das vezes). Qual o motivo de instituir a progressão? Reduzir a evasão escolar. Qual a ação que de fato reduziria a evasão escolar? Recuperação paralela, constante e atuante - entre alguns outros fatores. Então por que insistir no remédio errado? A meu ver, o governo não tem condições de aplicar a recuperação nas escolas. Então aprova-se por decreto! Não é a progressão continuada que está errada ou que oferece problemas. É um empurrar com a barriga dos governantes...

Na questão das cotas vejo o mesmo problema. Qual o ideal? Que qualquer criança, de qualquer raça, tenha escola de qualidade desde a educação infantil. O governo até deu um bom passo nesse sentido ao institucionalizar o fundamental de 9 anos e forçar a existência da educação infantil. Mas a cota racial na universidade é querer aprovar por decreto, mais uma vez! Se os negros (na verdade os pobres) não conseguem entrar no ensino superior, são classificados "à força"...

A cota enfrenta ainda outros pontos polêmicos:
- Por que não cota social?
- Quem é negro, pardo, mulato, branco? (vide a matéria acima)
- Quem define quem é de qual raça?

Eis portanto o ponto em comum: na impossibilidade de resolver em curto prazo da maneira definitiva, parte-se para uma solução temporária e arbitrária. As soluções corretas deveriam vir logo atrás, mas ainda não vemos isso acontecer...

Uma pena...