sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Como promover a melhor comunicação entre o mundo adulto e mundo adolescente?

Interessante perceber que num mundo onde a comunicação é cada vez mais facilitada, tem-se justamente mais dificuldades para se comunicar... Hoje tudo é on line, on time, imediato e visual. Celulares, tablets, notebooks, todos com câmera e microfone permitem um excesso de comunicação.

Sim, excesso! Tem comunicação demais! Pode ser sufocante! Talvez desta constatação venha a primeira resposta à pergunta-título: como tudo na vida, um pouco de bom senso não faz mal a ninguém. Não comunicar é ruim, mas comunicar demais também não é positivo.
Para continuar a resposta, teríamos que discutir qual é o mundo do adulto e qual é o mundo do adolescente — impossível neste espaço.

É comum ver adultos que não se preocupam nem em ouvir o que acontece no mundo jovem-adolescente. Sob alegações generalistas e preconceituosas (“só querem fazer barulho”, “não respeitam ninguém”, etc.), cortam toda e qualquer comunicação.

Outros adultos caíram na arapuca social de endeusar o novo e pretendem ser eternamente jovens — o que só os torna pseudo-adolescentes fora da idade.

Por outro lado, adolescentes não querem mais ouvir, não têm paciência com os adultos. Nada que vier deles serve, pois eles já estão ultrapassados.

É o choque de gerações, que sempre existiu, mas agora está muito mais acentuado. Como fazer a melhor comunicação entre eles?

Uma das características mais importantes no mundo atual é a compreensão das diferenças culturais. Acredito que podemos incluir nessas diferenças as que existem entre as gerações. Procurar entender, dar-se tempo de ouvir o que o outro tem a dizer. Lembrar que comunicação supõe dois lados e, portanto, ouvir e falar. Compreender. Seria um ótimo começo.

Mas não basta. É preciso compreender os papéis. O adolescente busca no adulto algumas referências, ainda que inconscientemente. Se o adulto quiser ser “bonzinho”, vai faltar quem lhe imponha regras. Por mais que o adulto esteja “ultrapassado”, o adolescente tem o que aprender com ele sim. Saber dizer sim e saber dizer não é uma dificuldade dos adultos de hoje, que atrapalham a comunicação.

Concluo e resumo com uma “resposta final” (mas não definitiva): estar aberto ao outro é a condição essencial para haver comunicação. Vou traduzir por “boa vontade”... Com boa vontade, a comunicação será certamente melhor, não?

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Artigo originalmente postado no portal EducarBrasil:

terça-feira, 19 de julho de 2011

Desequilíbrio

Cada vez mais temos "gente perdida" no mundo moderno. Gente que não percebe onde e como está, que não quer a velocidade das coisas como está, que não gosta do rumo das coisas. E o mundo continua mudando, cada vez mais rápido!

Lembra um pouco a ideia do pêndulo: se um momento puxa para um lado, a reação contrária é relativamente tão forte quanto, puxando o pêndulo para o lado contrário. O pêndulo no centro fica para bem mais tarde, depois de muito ir e vir...

É o equilíbrio que buscamos (ou deveríamos buscar) que se mostra cada vez mais difícil de conseguir. Saber abraçar as novidades tecnológicas sem esquecer o humano. Conviver com a tecnologia sem fazer dela um deus - ou um diabo. Expor-se nas redes sociais mas com limites. Ter amizades virtuais e cultivar as presenciais.

A própria natureza tem se mostrado sábia neste sentido. Estudo recente prova que a ação do homem, ao reduzir os predadores na natureza põe em perigo todo um ecossistema. (Veja matéria na agência Fapesp: "A falta dos grandes predadores") A redução de lobos fez aumentar número de cervos que comendo mais plantas fez reduzir o número de castores, que...

O desequilíbrio de um afeta o equilíbrio de todos! Este nosso ecossistema cada vez mais delicado chamado "mundo globalizado" exige equilíbrio geral. Um país com gripe resulta em resfriado em todo o mundo. Um país com problemas financeiros afeta a economia mundial (veja Grécia, Itália e outros recentemente). Uma pessoa paranóica mata vários transeuntes no supermercado ou na escola...

Que falta que o equilíbrio faz! E como estamos com falta de equilíbrio! Como seria bom recuperar o bom senso... Vamos começar?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bom remédio! Mal aplicado...

Nestes dias, duas polêmicas aparentemente sem ligação entre si estão sendo noticiadas. "MEC sugere não reprovar aluno nos três primeiros anos do Fundamental" (Bom Dia Brasil) e "DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu" (FSP, para assinantes).

Em comum o fato de poderem ser bons remédios, mas usados de maneira errada... Explico.

A questão da progressão continuada já está sendo discutida há tempos (e execrada na maioria das vezes). Qual o motivo de instituir a progressão? Reduzir a evasão escolar. Qual a ação que de fato reduziria a evasão escolar? Recuperação paralela, constante e atuante - entre alguns outros fatores. Então por que insistir no remédio errado? A meu ver, o governo não tem condições de aplicar a recuperação nas escolas. Então aprova-se por decreto! Não é a progressão continuada que está errada ou que oferece problemas. É um empurrar com a barriga dos governantes...

Na questão das cotas vejo o mesmo problema. Qual o ideal? Que qualquer criança, de qualquer raça, tenha escola de qualidade desde a educação infantil. O governo até deu um bom passo nesse sentido ao institucionalizar o fundamental de 9 anos e forçar a existência da educação infantil. Mas a cota racial na universidade é querer aprovar por decreto, mais uma vez! Se os negros (na verdade os pobres) não conseguem entrar no ensino superior, são classificados "à força"...

A cota enfrenta ainda outros pontos polêmicos:
- Por que não cota social?
- Quem é negro, pardo, mulato, branco? (vide a matéria acima)
- Quem define quem é de qual raça?

Eis portanto o ponto em comum: na impossibilidade de resolver em curto prazo da maneira definitiva, parte-se para uma solução temporária e arbitrária. As soluções corretas deveriam vir logo atrás, mas ainda não vemos isso acontecer...

Uma pena...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Participação do setor privado em creches cresceu em 2010

Enquanto em toda a educação básica as particulares têm 14,7% dos alunos, no atendimento às crianças de zero a 3 anos, 34,4%

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 06/01/2011 18:12




A conhecida falta de vagas em creches públicas abre mercado para o setor privado ampliar a sua participação nesta etapa de ensino. De acordo com o último Censo Escolar, a rede particular foi responsável pelo atendimento de 34,4% dos alunos de zero a três anos em 2010, enquanto em 2009 o porcentual era de 33,9%. Em toda a educação básica, a parcela do setor privado é de 14,7%.

O total de vagas em creches cresceu em todos os setores no ano passado, mas a ampliação foi maior no setor privado. Nas redes municipais e estaduais foram criadas 100 mil novas vagas, que representam um incremento de 7,5% no total existente antes. Nas particulares, surgiram 67,5 mil vagas que representam 10,5% a mais do que havia em 2009.

Para Roberto Prado, gerente da Rede Católica de Educação, a falta de unidades públicas suficientes é o principal motivo para o crescimento do setor privado. Ao contrário do ensino fundamental e médio – em que os pais podem escolher entre colocar os filhos em escolas do governo ou pagar particular - não há creches públicas suficientes para a demanda total e, em muitos casos, a única alternativa é a matrícula em uma unidade particular.

Na opinião de Prado, a mudança no ensino fundamental, de 8 para 9 anos, também ajudou a criar novas vagas. Com a transferência das crianças de 6 anos da educação infantil (etapa entre a creche e o fundamental) para o primeiro ano, muitas escolas se tornaram também creches para atender crianças mais novas. “Enquanto faltarem vagas nas públicas, todas as que forem criadas nas particulares vão sendo preenchidas, mesmo que para isso a mulher gaste boa parte do seu salário”

Classe média e financiamento público
O vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares de São Paulo, José Augusto Mattos Lourenço, concorda e enfatiza a interferência da melhora no poder econômico das famílias. “Com a melhora na economia, é uma tendência natural o aumento de matrícula nas particulares.”

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) estima que, entre as particulares, metade tenha convênio com prefeituras ou estados e, desta forma, tenha financiamento parcial do setor público.

Não existe um número exato do déficit total de vagas em creches no Brasil. Sabe-se que hoje há 2 milhões de matrículas nesta etapa de ensino enquanto a seguinte, pré-escola, que vai dos 3 aos 5 anos, tem 4,7 milhões e as séries iniciais do ensino fundamental 16,7 milhões, o que sinaliza que cerca de 10 milhões atravessaram a fase da vida relativa à creche sem estudar.

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Esta foi a notícia no portal Último Segundo / iG:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/participacao+do+setor+privado+em+creches+cresceu+em+2010/n1237927634829.html

A repórter, Cinthia, lembra algo que passou despercebido por mim na hora da conversa: quando metade das creches possui convênio com o poder público, temos que o poder público investe na creche - e de uma maneira inteligente, já que é mais barato financiar essas escolas do que construir e manter a escola pública!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Invasões

Notícia da Folha de São Paulo de hoje (04/jan/2011) chamou-me atenção. "Bioinvasor pode causar megaextinção" (para assinantes).

Uma das maiores extinções do passado foi causada por invasão biológica, e não por algum cataclisma como normalmente se suporia. Invasão biológica é o nome da ocorrência de uma espécie não nativa chegando a determinado loval: sem predadores naturais, viram pragas quase incontroláveis...

Duas observações distintas que me ocorreram:

1) E o homem, na tentativa desastrada de brincar de Deus, está causando cada vez maior rebuliço na natureza, importando espécies e espécimes de um local para outro...
Nos dias de hoje, a invasão biológica é muito mais possível - por ação do homem! A matéria comenta algo a esse respeito.

2) Acho possível traçar um paralelo com a sociedade... Na América latina, a chegada dos "bioinvasores" europeus causou uma extinção de várias raças indígenas locais.
Na verdade seja com seu semelhante, seja na natureza, parece-me que o ser humano ainda não aprendeu a conviver. Age como uma praga!
A continuar assim, tenha certeza que a natureza irá se vingar...

E se este Blog é sobre educação, fica a conclusão: estamos muito acostumados a falar de ecologia, de preservação da natureza. As vezes parece-me faltar discussão sobre como salvar o homem dele mesmo...